É sério. O ócio pode lhe trazer coisas boas. Eu gosto de escrever, e se não fosse pelo fato de eu estar atualmente ocioso em boa parte de meus dias, eu não teria tempo para colocar algo aqui. É nos momentos de ócio que procuramos fazer as coisas que gostamos. Mantemos nossos hobbies, lemos um livro, escutamos boa música, até mesmo deitados no sofá podemos chegar a um resultado produtivo. Pensamentos são como livros, precisam estar bem organizados e distribuídos para que você os ache quando precisar de um deles.
Estamos constantemente cercados de workaholics que nos olham atravessados quando estamos à toa em algum momento, ou fazendo algo diferente do binômio trabalho/estudo. Não há como culpá-los, eles pensam assim porque foram educados desta maneira. Quando nos lembramos daquele clássico conto de La Fontaine, a formiga é sempre o exemplo a ser mostrado, e assim deve ser. Mas também há um pouco de cigarra em todos nós, deixe-a mandar às vezes. Aproveite bem o seu ócio e ache algo mais para alegrar sua vida.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
O valor do palavrão
Quem é religiosamente doutrinado ou simplesmente foi muito bem educado pelos pais cresceu ouvindo que não é de bom tom "beber, fumar e falar palavrão". Quanto a beber e fumar, concordo plenamente, pois são hábitos que, tornando-se vícios, prejudicam o bem-estar do indivíduo. Já quanto a falar palavrão, penso que ele entrou meio que de gaiato na história. Acho que o problema maior não está no palavrão em si, mas sim no propósito por trás dele.
Eu sou totalmente contra o uso do palavrão para ofender alguém. E digo uma ofensa legítima, não aquela conversa informal entre amigos. Palavras têm muito poder. Basta uma palavrinha mais agressiva e pronto, um relacionamento pode ser arruinado para sempre. Porém de modo algum desprezo o valor cômico e literário dos "termos de baixo calão".
Como surge um palavrão, afinal de contas? Como se faz para promover uma palavra - ou até mesmo uma palavrinha - ao status de palavrão? Em que momento da história a palavra "piroca" deixou se ser apenas a referência a um homem calvo e se tornou um dos verbetes mais temidos pelos pais de filhas adolescentes e professoras de ensino fundamental? Em nossa língua, "piroca" é uma palavra foneticamente engraçada, e talvez isso tenha contribuído para seu significado chulo se tornar mais popular que o original.
Exatamente esse é o principal motivo pelo qual defendo a maioria dos palavrões: seu teor cômico. Quem é especialista em utilizar o teor cômico destas gemas é Jô Soares. Em seus dois livros mais populares, O Xangô de Baker Street e O Homem que Matou Getúlio Vargas, ele usa de maneira extremamente sábia os palavrões, pingando-os em momentos aleatórios do livro, transformando passagens pouco importantes em algo verdadeiramente engraçado. E não desprezo esta mesma aplicação do palavrão em nosso dia-a-dia.
E não é só isso. Há certos sentimentos que só podem ser verdadeiramente expressados através de um palavrão. Dar uma topada em uma pedra, não gritar um PUTAQUEPARIUMEUPÉ e ao invés disso ficar pensando em uma outra palavra mais bonitinha pra gritar enqüanto sente dor é um movimento falso, uma medida absolutamente paliativa. Quem estiver perto de você e realizar o quanto foi dolorosa a topada certamente não vai lhe condenar pelo palavrão proferido, pelo menos em seu íntimo.
Por outro lado, reconheço que também não se pode descambar pro lado do exagero, fazendo com que alguém, por falar muito palavrão, ganhe a fama de boca-suja, desbocado. Esse é o tipo de reputação da qual é muito difícil de se desvencilhar, e que ninguém sensato quer para si. Mas se o palavrão for colocado em seu devido lugar e hora, torna-se uma ótima ferramenta tanto no falar quanto no escrever, bem como instrumento de catarse. Porque tem coisa que é foda de agüentar, viu?
Eu sou totalmente contra o uso do palavrão para ofender alguém. E digo uma ofensa legítima, não aquela conversa informal entre amigos. Palavras têm muito poder. Basta uma palavrinha mais agressiva e pronto, um relacionamento pode ser arruinado para sempre. Porém de modo algum desprezo o valor cômico e literário dos "termos de baixo calão".
Como surge um palavrão, afinal de contas? Como se faz para promover uma palavra - ou até mesmo uma palavrinha - ao status de palavrão? Em que momento da história a palavra "piroca" deixou se ser apenas a referência a um homem calvo e se tornou um dos verbetes mais temidos pelos pais de filhas adolescentes e professoras de ensino fundamental? Em nossa língua, "piroca" é uma palavra foneticamente engraçada, e talvez isso tenha contribuído para seu significado chulo se tornar mais popular que o original.
Exatamente esse é o principal motivo pelo qual defendo a maioria dos palavrões: seu teor cômico. Quem é especialista em utilizar o teor cômico destas gemas é Jô Soares. Em seus dois livros mais populares, O Xangô de Baker Street e O Homem que Matou Getúlio Vargas, ele usa de maneira extremamente sábia os palavrões, pingando-os em momentos aleatórios do livro, transformando passagens pouco importantes em algo verdadeiramente engraçado. E não desprezo esta mesma aplicação do palavrão em nosso dia-a-dia.
E não é só isso. Há certos sentimentos que só podem ser verdadeiramente expressados através de um palavrão. Dar uma topada em uma pedra, não gritar um PUTAQUEPARIUMEUPÉ e ao invés disso ficar pensando em uma outra palavra mais bonitinha pra gritar enqüanto sente dor é um movimento falso, uma medida absolutamente paliativa. Quem estiver perto de você e realizar o quanto foi dolorosa a topada certamente não vai lhe condenar pelo palavrão proferido, pelo menos em seu íntimo.
Por outro lado, reconheço que também não se pode descambar pro lado do exagero, fazendo com que alguém, por falar muito palavrão, ganhe a fama de boca-suja, desbocado. Esse é o tipo de reputação da qual é muito difícil de se desvencilhar, e que ninguém sensato quer para si. Mas se o palavrão for colocado em seu devido lugar e hora, torna-se uma ótima ferramenta tanto no falar quanto no escrever, bem como instrumento de catarse. Porque tem coisa que é foda de agüentar, viu?
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Saiantesqueamalacaia!
Quem freqüenta minha casa, principalmente depois das 11 da noite, conhece meus vizinhos indiretos. Os chamo assim pois estão do outro lado do muro do condomínio e são bem assíduos. Mas costumeiramente os chamamos de "os crente doido". Provavelmente é um grupo pentecostal, cada dia mais numeroso. E barulhento.
A varanda do meu apartamento dá de frente para um terreno baldio, que nas tardes se torna campo de futebol. E à noite, igreja. Esse grupo, como disse, costuma chegar tarde da noite e ali fazer seu culto a Deus. Até aí, tudo bem. Tranqüilo. O problema começa quando vêm a gritaria e o abençoado pandeirinho. Que na incrível acústica de um terreno aberto em uma clareira no mato e no silêncio da noite, exerce o mesmo impacto sonoro que sente um vizinho do Antares.
Se fosse só um ALELUIA aqui ou um GLORADEUS ali, seria compreensível. Um momento de euforia, nada mais. Acontece em toda igreja, até nas mais pacatas. Mas tem dias que a coisa fica caótica. É tanta gritaria e pandeirinho que a impressão que tenho é que baixou uma entidade de candomblé ali só pra tirar onda com eles, dando início a um duelo mortal entre o pastor raivoso e a pombagira rodopiante. Sem contar o comportamento desvairado de alguns deles, que me faz lembrar os bons tempos do Van Halen. Sinceramente, não sei como minha mãe consegue dormir, já que a janela de seu quarto também é frontal ao terreno. E eles costumam ficar até umas 2, 3 da manhã.
E a pior parte é que não posso reclamar, por vários motivos. O principal deles é que são meus irmãos de fé. Eu nunca poderia chegar lá com eles e dizer: "Olha, vocês estão louvando a Deus de forma errada. A maneira certa é como eu faço lá na minha igreja". Seria tão ou mais absurdo. Não poderia nem pedir pra uma viatura da polícia baixar o sarrafo neles, pois estaria incitando violência. Sem contar que é um terreno baldio, até descobrir quem é o dono dele pra que fique a par do que acontece ali, já encontraríamos uma igreja construída, com jardinzinho e tudo. Eu já comentei algumas vezes que minha vontade era conseguir uma daquelas pistolas marítimas de sinalização e dispará-la no meio da galere. Mas sei lá, do jeito que eles são, iriam achar que é um sinal de Deus e no dia seguinte a gritaria seria dobrada, e o pior, com DOIS pandeirinhos! De um lado, temos a perturbação da ordem pública. Do outro, temos a liberdade de culto. É uma situação complicada. E sem resolução aparente. Deixando claro que não alimento nenhum tipo de ódio quanto às igrejas superpentecostais e seus membros. Como disse, são meus irmãos de fé e devo respeitá-los como tal. Mas que às vezes se comportam de maneira destrambelhada, ah, isso é verdade.
O jeito é continuar tentando tirar o lado divertido da coisa. Continuo aprendendo novos verbetes daquele dialeto bisonho.
A varanda do meu apartamento dá de frente para um terreno baldio, que nas tardes se torna campo de futebol. E à noite, igreja. Esse grupo, como disse, costuma chegar tarde da noite e ali fazer seu culto a Deus. Até aí, tudo bem. Tranqüilo. O problema começa quando vêm a gritaria e o abençoado pandeirinho. Que na incrível acústica de um terreno aberto em uma clareira no mato e no silêncio da noite, exerce o mesmo impacto sonoro que sente um vizinho do Antares.
Se fosse só um ALELUIA aqui ou um GLORADEUS ali, seria compreensível. Um momento de euforia, nada mais. Acontece em toda igreja, até nas mais pacatas. Mas tem dias que a coisa fica caótica. É tanta gritaria e pandeirinho que a impressão que tenho é que baixou uma entidade de candomblé ali só pra tirar onda com eles, dando início a um duelo mortal entre o pastor raivoso e a pombagira rodopiante. Sem contar o comportamento desvairado de alguns deles, que me faz lembrar os bons tempos do Van Halen. Sinceramente, não sei como minha mãe consegue dormir, já que a janela de seu quarto também é frontal ao terreno. E eles costumam ficar até umas 2, 3 da manhã.
E a pior parte é que não posso reclamar, por vários motivos. O principal deles é que são meus irmãos de fé. Eu nunca poderia chegar lá com eles e dizer: "Olha, vocês estão louvando a Deus de forma errada. A maneira certa é como eu faço lá na minha igreja". Seria tão ou mais absurdo. Não poderia nem pedir pra uma viatura da polícia baixar o sarrafo neles, pois estaria incitando violência. Sem contar que é um terreno baldio, até descobrir quem é o dono dele pra que fique a par do que acontece ali, já encontraríamos uma igreja construída, com jardinzinho e tudo. Eu já comentei algumas vezes que minha vontade era conseguir uma daquelas pistolas marítimas de sinalização e dispará-la no meio da galere. Mas sei lá, do jeito que eles são, iriam achar que é um sinal de Deus e no dia seguinte a gritaria seria dobrada, e o pior, com DOIS pandeirinhos! De um lado, temos a perturbação da ordem pública. Do outro, temos a liberdade de culto. É uma situação complicada. E sem resolução aparente. Deixando claro que não alimento nenhum tipo de ódio quanto às igrejas superpentecostais e seus membros. Como disse, são meus irmãos de fé e devo respeitá-los como tal. Mas que às vezes se comportam de maneira destrambelhada, ah, isso é verdade.
O jeito é continuar tentando tirar o lado divertido da coisa. Continuo aprendendo novos verbetes daquele dialeto bisonho.
Pense, pero no mucho
Pensar é bom. Nos faz entender o porquê das coisas. Nos ajuda a prever erros ou evitar que eles se repitam. É essencial separarmos pequenos momentos diários para pensarmos em nossa vida, e o que estamos fazendo com ela. Mas também podemos nos abster de algo que poderia ser útil ou agradável a nós, pelo excesso de pensamento.
Para mim a chave de uma ótima vida está em duas coisas: um relacionamento constante com Deus e a infindável busca pelo equilíbrio. Você não conseguirá um sem ter o outro, estão diretamente ligados. É uma balança que precisa ser constantemente vigiada para que fique alinhada exatamente no centro. Não é nem um pouco fácil, mas também não teria graça alguma se fosse. O bom relacionamento com Deus você consegue querendo. Confie sua vida a Deus que as coisas acontecem. É uma fórmula simples, sem mistérios. Tendo isso, a busca pelo equilíbrio se torna bem mais fácil. Mas, ainda assim, é metade do caminho. Os outros 50% dependem de você. É aí que entra o pensamento e as conseqüências geradas por pouco ou muito dele. E é um caminho com muitas armadilhas, um passeio em Angola.
Se você pensar pouco antes de tomar alguma atitude, muito provavelmente quebrará a cara. E se continuar no mesmo padrão, quebrará a cara novamente e mais outra vez. Se pensar muito, é bem provável que vá se livrar de muitos problemas. E em meio a esses problemas, algumas bem-aventuranças junto. Talvez você tenha perdido um grande emprego por ter chegado à conclusão que não atingiria o rendimento esperado. Talvez esteja solteira por não achar nenhum cara que se encaixe em sua lista de pré-requisitos, ou você, rapaz, está solteiro por achar que ela nunca ia querer algo com você. Fazer aquela pós-graduação em outra cidade ficou fora de questão, pois você teria que procurar um lugar pra morar, um novo emprego, recomeçar um círculo de amigos, enfim, "muito complicado". Ou até mesmo tenha arquivado permanentemente sua vontade de tocar piano pois "é um instrumento muito difícil, requer anos de treino".
E enquanto isso os dias vão passando, sua barba vai crescendo, sua coluna encurvando e seu ânimo murchando. Pense, pense sempre. Mas se você pensar pra sempre, as coisas nunca mudarão. Quebre a cara sem medo, é bom de vez em quando.
Para mim a chave de uma ótima vida está em duas coisas: um relacionamento constante com Deus e a infindável busca pelo equilíbrio. Você não conseguirá um sem ter o outro, estão diretamente ligados. É uma balança que precisa ser constantemente vigiada para que fique alinhada exatamente no centro. Não é nem um pouco fácil, mas também não teria graça alguma se fosse. O bom relacionamento com Deus você consegue querendo. Confie sua vida a Deus que as coisas acontecem. É uma fórmula simples, sem mistérios. Tendo isso, a busca pelo equilíbrio se torna bem mais fácil. Mas, ainda assim, é metade do caminho. Os outros 50% dependem de você. É aí que entra o pensamento e as conseqüências geradas por pouco ou muito dele. E é um caminho com muitas armadilhas, um passeio em Angola.
Se você pensar pouco antes de tomar alguma atitude, muito provavelmente quebrará a cara. E se continuar no mesmo padrão, quebrará a cara novamente e mais outra vez. Se pensar muito, é bem provável que vá se livrar de muitos problemas. E em meio a esses problemas, algumas bem-aventuranças junto. Talvez você tenha perdido um grande emprego por ter chegado à conclusão que não atingiria o rendimento esperado. Talvez esteja solteira por não achar nenhum cara que se encaixe em sua lista de pré-requisitos, ou você, rapaz, está solteiro por achar que ela nunca ia querer algo com você. Fazer aquela pós-graduação em outra cidade ficou fora de questão, pois você teria que procurar um lugar pra morar, um novo emprego, recomeçar um círculo de amigos, enfim, "muito complicado". Ou até mesmo tenha arquivado permanentemente sua vontade de tocar piano pois "é um instrumento muito difícil, requer anos de treino".
E enquanto isso os dias vão passando, sua barba vai crescendo, sua coluna encurvando e seu ânimo murchando. Pense, pense sempre. Mas se você pensar pra sempre, as coisas nunca mudarão. Quebre a cara sem medo, é bom de vez em quando.
domingo, 27 de abril de 2008
O mundo ligeiro e suas conseqüências
Certamente você já ouviu este discurso. O mundo globalizado, a sociedade de informação, o crescimento tecnológico, blablablá...mas você já parou pra pensar, de verdade, como isso afeta sua vida? Ou melhor, como você pode ser uma cria desse mundo, se tiver seus 20 anos ou menos?
Eu sou uma pessoa que não tem carro. Principalmente por ainda não ter condições financeiras de manter um sem ter que abrir mão de algumas posturas pessoais. Mas onde quero chegar é que, em muitas vezes que peguei uma carona no carro de amigos e parentes, não consegui deixar de reparar em como muitas pessoas se comportam ouvindo uma estação de rádio. Foram poucas as vezes que ouvi uma música inteira. Na metade de uma música, troca-se de estação a fim de procurar algo melhor, e passando por todas as estações umas 3 vezes seguidas, parece que nada agrada ao ouvinte. A situação se torna ainda mais bagunçada quando várias pessoas estão dentro do carro. É como se ouvir uma música por 3 minutos - e isso porque estou falando de música comercial - fosse uma tarefa que exigisse muita atenção, mais do que uma pessoa comum conseguisse suportar.
Quando vamos abrir nosso e-mail na internet, se a página levar mais de 1 minuto pra carregar já começamos a bufar e cutucar os dedos na mesa. Esperar cinco minutos em uma fila, então, é um castigo que nem o mais vil criminoso mereceria. Sentar em uma sala de espera de um consultório médico é o mesmo que entrar no quarto do Hannibal Lecter. Nós estamos sempre apressados. MUITO apressados. E nessa situação, onde termina a culpa do mundo agilizado pelas facilidades da tecnologia e começa nossa intolerância?
Eu tenho 27 anos, então devo dizer que a maior parte de minha vida já foi vivida nesse contexto das coisas ágeis e de pronta resposta. Mas toda vez que eu vejo uma pessoa xingando a mãe de outro alguém em uma fila pois a mesma não anda e ela "tem mais o que fazer", eu fico me perguntando o que ele tem de tão importante que verdadeiramente não possa esperar mais 2 ou 3 minutos pra fazer. Se hoje condenações por enforcamento ainda fossem de prática comum e o pai do indivíduo fosse um encrenqueiro, eu até acreditaria no dito popular. Mas quase sempre, não é o que acontece.
Tudo isso reflete em nosso comportamento, em nossa espiritualidade e até mesmo em nossa saúde. Casos de ansiedade crônica estão se tornando cada vez mais comuns, conheço pessoas que ficam próximas de um ataque nervoso pelo fato do ônibus estar levando mais de 10 minutos pra aparecer. Casais brigam porque um dos dois "tá demorando muito pra se arrumar! A gente vai pro cinema, não pra um casamento!". Eu gosto muito de rock progressivo, com suas músicas longas, algumas chegando até a mais de 20 minutos de duração. 95% das pessoas que conheço desprezariam tais músicas simplesmente pelo fato de serem "longas demais, eu não consigo ouvir até o fim". A necessidade de urgência que inevitavelmente aflige nossos ambientes de trabalho informatizados infecta os outros campos de nossas vidas, e é exatamente aí que começa o problema.
Eu poderia concluir este texto com pseudo-teorias e divagações filosóficas, mas o ponto onde quero chegar é bem simples: exercitem a paciência. Isso fará bem a você, bem como às pessoas ao seu redor. Tente imaginar como era a vida sem internet e caixas eletrônicos, e em como a convivência humana era algo muito mais aproveitável, pergunte à sua mãe ou seu avô. Se você não encarar o tempo como um amigo, ele se tornará seu pior inimigo.
Eu sou uma pessoa que não tem carro. Principalmente por ainda não ter condições financeiras de manter um sem ter que abrir mão de algumas posturas pessoais. Mas onde quero chegar é que, em muitas vezes que peguei uma carona no carro de amigos e parentes, não consegui deixar de reparar em como muitas pessoas se comportam ouvindo uma estação de rádio. Foram poucas as vezes que ouvi uma música inteira. Na metade de uma música, troca-se de estação a fim de procurar algo melhor, e passando por todas as estações umas 3 vezes seguidas, parece que nada agrada ao ouvinte. A situação se torna ainda mais bagunçada quando várias pessoas estão dentro do carro. É como se ouvir uma música por 3 minutos - e isso porque estou falando de música comercial - fosse uma tarefa que exigisse muita atenção, mais do que uma pessoa comum conseguisse suportar.
Quando vamos abrir nosso e-mail na internet, se a página levar mais de 1 minuto pra carregar já começamos a bufar e cutucar os dedos na mesa. Esperar cinco minutos em uma fila, então, é um castigo que nem o mais vil criminoso mereceria. Sentar em uma sala de espera de um consultório médico é o mesmo que entrar no quarto do Hannibal Lecter. Nós estamos sempre apressados. MUITO apressados. E nessa situação, onde termina a culpa do mundo agilizado pelas facilidades da tecnologia e começa nossa intolerância?
Eu tenho 27 anos, então devo dizer que a maior parte de minha vida já foi vivida nesse contexto das coisas ágeis e de pronta resposta. Mas toda vez que eu vejo uma pessoa xingando a mãe de outro alguém em uma fila pois a mesma não anda e ela "tem mais o que fazer", eu fico me perguntando o que ele tem de tão importante que verdadeiramente não possa esperar mais 2 ou 3 minutos pra fazer. Se hoje condenações por enforcamento ainda fossem de prática comum e o pai do indivíduo fosse um encrenqueiro, eu até acreditaria no dito popular. Mas quase sempre, não é o que acontece.
Tudo isso reflete em nosso comportamento, em nossa espiritualidade e até mesmo em nossa saúde. Casos de ansiedade crônica estão se tornando cada vez mais comuns, conheço pessoas que ficam próximas de um ataque nervoso pelo fato do ônibus estar levando mais de 10 minutos pra aparecer. Casais brigam porque um dos dois "tá demorando muito pra se arrumar! A gente vai pro cinema, não pra um casamento!". Eu gosto muito de rock progressivo, com suas músicas longas, algumas chegando até a mais de 20 minutos de duração. 95% das pessoas que conheço desprezariam tais músicas simplesmente pelo fato de serem "longas demais, eu não consigo ouvir até o fim". A necessidade de urgência que inevitavelmente aflige nossos ambientes de trabalho informatizados infecta os outros campos de nossas vidas, e é exatamente aí que começa o problema.
Eu poderia concluir este texto com pseudo-teorias e divagações filosóficas, mas o ponto onde quero chegar é bem simples: exercitem a paciência. Isso fará bem a você, bem como às pessoas ao seu redor. Tente imaginar como era a vida sem internet e caixas eletrônicos, e em como a convivência humana era algo muito mais aproveitável, pergunte à sua mãe ou seu avô. Se você não encarar o tempo como um amigo, ele se tornará seu pior inimigo.
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