Na astronomia, chama-se de zênite o ponto mais alto que um corpo celeste atinge em sua órbita, a partir da vista do observador. É o seu apogeu. Significado que justifica perfeitamente o atual momento do Zenit St. Petesburgh, time de futebol russo que venceu nesta semana o Glasgow Rangers na final da Copa da UEFA, o segundo torneio mais significativo da Europa. Time modesto, sem tradição, que graças a altos investimentos financeiros e um ótimo técnico, é hoje um dos times mais falados no universo do futebol. Mas não é só por isso que andam falando dele.
Estamos falando de um time cuja torcida é racista. Se hoje o plantel de jogadores é composto unicamente de brancos, é porque seus torcedores não aceitariam a entrada de um jogador negro, fato assumido pelo treinador do Zenit, Dick Advocaat. "Eu ficaria feliz em poder contratar qualquer jogador, mas a torcida não gosta de negros. Honestamente, eu não sei porque se importam tanto com a cor da pele", afirmou em uma coletiva de imprensa. E o comentário que circula é que a atitude racista também parte de membros da diretoria do clube, mesmo que seus assessores de imprensa neguem a todo custo.
Pra aumentar a salada, tudo isso está acontecendo em dias de uma forte política anti-racista por parte da UEFA, que faz questão de exibir cartazes e mais cartazes em jogos importantes do circuito europeu, e espalhar a mensagem por todos os veículos de mídia possíveis. Sendo assim, como podem então permitir que um time cuja torcida é assumidamente racista participar de uma final de um torneio tão importante, e não tomar atitude alguma? Pois atos ofensivos já foram testemunhados no mesmo torneio, nos jogos do Zenit contra o Olympique de Marselha, que tem jogadores negros. Coisas extremamente ignorantes e grotescas, como por exemplo, imitar o som de macacos.
E a situação inevitavelmente fere a imagem de um time batalhador, que mesmo sendo considerado um dos patinhos feios no início da competição, cresceu como um colosso ao longo dela, goleando times muito superiores - como o atualmente devastador Bayern de Munique -, chegando à final e a vencendo. Isso sem contar com grandes estrelas do futebol mundial. Não há um nome ali que chame a atenção do ouvinte casual. O que tornou o Zenit campeão foi, de fato, uma equipe bem montada e um ímpeto enorme de vencer. Mas também é um time jovem, que tem receio de entrar em conflito com sua nova grande torcida e perder esse rico apoio, mesmo que seja um apoio descaradamente racista.
É provável que no final desta temporada o Zenit recrute jogadores negros para afastar toda essa nuvem de afirmações de cunho racial. Se isso não acontecer, infelizmente, vai ser a confirmação de que o clube compactua com a torcida, ponto para a estupidez e a arrogância. Eu bem que poderia fechar esse texto com alguma piadinha, mas a coisa toda é tão lamentável que nem dá.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
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