E nem estou me referindo a uma profecia de Nostradamus ou de alguma seita maluca. Muito menos aos 4 Cavaleiros do Apocalipse ou a Terceira Guerra Mundial. O grande agente destruidor de nosso mundo como o conhecemos dessa vez se chama Bóson de Higgs. Estou falando de uma mera partícula, que talvez nem exista. Mas se ela resolver dar as caras, poderia nos trazer alguns probleminhas, mesmo que as chances disso sejam bem reduzidas.
A mais de 150 metros abaixo da superfície, em uma porção de terra que se divide entre França e Suíça, existe algo que seria digno de fazer parte das 7 novas maravilhas do mundo. O Grande Colisor de Hádrons, ou simplesmente LHC. Trata-se do maior acelerador de partículas do mundo, com seus 27 quilômetros (!!) de circunferência. Um acelerador de partículas, como o nome já sugere, é um dispositivo que usa campos elétricos para propelir partículas carregadas a uma altíssima velocidade, fazendo isso em um ambiente controlado. Isso possibilita a análise e estudo destas partículas, levando à compreensão de suas origens e aplicações. E nos estudos atuais da Física, o bóson de Higgs é uma das peças mais intrigantes.
Eu, sem dúvida alguma, não sou a melhor pessoa pra explicar a parte complicada. Mas vou tentar.
O tal do bóson, glamurosamente apelidado de God Particle, teoricamente daria as respostas às principais questões que justificam o salário de boa parte de nossos queridos cientistas, bem como consolidaria definitivamente os padrões da Física contemporânea. Entre estas perguntas, as mais importantes são:
1) Por que a gravidade é bem mais fraca que as outras forças fundamentais (eletromagnetismo e força nuclear)?
2) As medidas mais precisas da massa dos quarks continuariam a ser consistentes em relação ao que vemos no padrão atual?
3) Por que há aparentes quebras de simetria entre matéria e antimatéria?
4) Qual a natureza da matéria escura?
5) Vai ter "Rambo 5"?
Essas indagações tiram meu sono e fazem de minha vida um verdadeiro inferno de incertezas desde que eu era um bebê banguela e chorão, e FINALMENTE terei paz em meu coração após todas estas perguntas, entre muitas outras, serem respondidas. Isso se eu - e você - não nos transformarmos em um cocô intergaláctico segundos depois.
Para que o lindo, charmoso e instigante bóson de Higgs dê o ar de sua graça em um terno Armani feito sob medida, o LHC precisa gerar uma quantidade cagalhônica de energia, aproximadamente 10 gigajoules, o equivalente a uma detonação de duas toneladas e meia de TNT. Mas esse é o menor dos problemas, pelo menos para nós, que estamos bem longe da França/Suíça. O que realmente vem inquietando muita gente é que, ao se ligar o aparelhozinho, ele dê origem a micro-buracos negros, ou matérias desconhecidas chamadas de strangelets. Estes strangelets podem entrar em fusão e se tornarem mais estáveis que a matéria ordinária, transformando todo o planeta em uma grande bola de nada.
Mesmo que boa parte dos cientistas mais conceituados de nossa sociedade digam que as chances disso acontecer são mínimas, não há fiofó que não dê uma trancadinha, ainda mais quando se tem noção da magnitude de todo o projeto. Sir Martin Rees, renomado astrofísico inglês, afirmou que a chance de uma catástrofe definitiva acontecer é de uma em 50 milhões. Só que há um problema, senhor cientista espertão-do-bigodão: nós não estamos falando das chances de Cristiano Ronaldo fazer um gol contra na final da Champions League, ou do Metallica voltar a tocar metal de verdade. Estamos falando da INTEGRIDADE FÍSICA de todo o planeta, ou seja, nesse caso, uma chance em 50 milhões ainda é MUITO!
O LHC iria ser ativado agora em maio, mas devido a incidentes técnicos, nós só vamos ser pulverizados em julho. Ainda dá tempo de roubar um banco, seqüestrar a Scarlett Johansson e completar minha coleção do Rush.
NOTA RECENTE: nossa pulverização foi adiada mais algumas vezes. Na última vez (nov/2009), um dos eletroimãs refrigeradores do LHC entrou em curto porque um passarinho que veio do futuro tentou boicotar o projeto jogando um pedaço de baguete em cima dele. Humanidade, ouça o aviso do passarinho.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
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3 comentários:
A probabilidade do Flamengo perder de três pro América do México no Maracanã em um jogo decisivo da Libertadores era maior que 50 milhões pra um. E olha a merda.
Correção: a probabilidade era menor.
eu ja tinha ate esqucido que vc as vezes tem uns papos nerd
mas isso tudo me lembrou homem de ferro
já assistiu?
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