Quem freqüenta minha casa, principalmente depois das 11 da noite, conhece meus vizinhos indiretos. Os chamo assim pois estão do outro lado do muro do condomínio e são bem assíduos. Mas costumeiramente os chamamos de "os crente doido". Provavelmente é um grupo pentecostal, cada dia mais numeroso. E barulhento.
A varanda do meu apartamento dá de frente para um terreno baldio, que nas tardes se torna campo de futebol. E à noite, igreja. Esse grupo, como disse, costuma chegar tarde da noite e ali fazer seu culto a Deus. Até aí, tudo bem. Tranqüilo. O problema começa quando vêm a gritaria e o abençoado pandeirinho. Que na incrível acústica de um terreno aberto em uma clareira no mato e no silêncio da noite, exerce o mesmo impacto sonoro que sente um vizinho do Antares.
Se fosse só um ALELUIA aqui ou um GLORADEUS ali, seria compreensível. Um momento de euforia, nada mais. Acontece em toda igreja, até nas mais pacatas. Mas tem dias que a coisa fica caótica. É tanta gritaria e pandeirinho que a impressão que tenho é que baixou uma entidade de candomblé ali só pra tirar onda com eles, dando início a um duelo mortal entre o pastor raivoso e a pombagira rodopiante. Sem contar o comportamento desvairado de alguns deles, que me faz lembrar os bons tempos do Van Halen. Sinceramente, não sei como minha mãe consegue dormir, já que a janela de seu quarto também é frontal ao terreno. E eles costumam ficar até umas 2, 3 da manhã.
E a pior parte é que não posso reclamar, por vários motivos. O principal deles é que são meus irmãos de fé. Eu nunca poderia chegar lá com eles e dizer: "Olha, vocês estão louvando a Deus de forma errada. A maneira certa é como eu faço lá na minha igreja". Seria tão ou mais absurdo. Não poderia nem pedir pra uma viatura da polícia baixar o sarrafo neles, pois estaria incitando violência. Sem contar que é um terreno baldio, até descobrir quem é o dono dele pra que fique a par do que acontece ali, já encontraríamos uma igreja construída, com jardinzinho e tudo. Eu já comentei algumas vezes que minha vontade era conseguir uma daquelas pistolas marítimas de sinalização e dispará-la no meio da galere. Mas sei lá, do jeito que eles são, iriam achar que é um sinal de Deus e no dia seguinte a gritaria seria dobrada, e o pior, com DOIS pandeirinhos! De um lado, temos a perturbação da ordem pública. Do outro, temos a liberdade de culto. É uma situação complicada. E sem resolução aparente. Deixando claro que não alimento nenhum tipo de ódio quanto às igrejas superpentecostais e seus membros. Como disse, são meus irmãos de fé e devo respeitá-los como tal. Mas que às vezes se comportam de maneira destrambelhada, ah, isso é verdade.
O jeito é continuar tentando tirar o lado divertido da coisa. Continuo aprendendo novos verbetes daquele dialeto bisonho.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
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4 comentários:
"De um lado, temos a perturbação da ordem pública. Do outro, temos a liberdade de culto."
Amigo, tem essa não. Pode fazer o pandemônio que quiser, mas depois das 22h é SILENZIO.
NO HAY BANDA
Cara acho que dava sim pra ir lá com eles conversar... nao precisa tocar no assunto do adorando da forma certa ou errada, mas sim no tema "incomodando a vizinhança" sendo educado talvez dê resultado.
e o que o cersibon falou ai em cima procede.
Deixa os crentes doidos com seu pagodinho gospel.
Ah, e só pra registrar: eu estava presente em uma das primeiras aparições dos ditos-cujos.
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