Se você freqüenta uma igreja, talvez já tenha ouvido alguém se referir a Deus como "Paizinho" em uma oração. Se não ouviu, são grandes as chances de isso acontecer um dia. E sempre que ouço, não consigo deixar de achar esquisito.
Sem dúvida isso surgiu como uma maneira mais carinhosa de se falar com Deus. Creio que seja válido, e de modo algum se torne algo que interfira na vida espiritual de quem assim o faz. É válido, mas também inapropriado. É tão inapropriado quanto um réu chegar pra um juiz e chamá-lo de "tio". Claro que, nesse caso, geraria uma represália imediata. No final das contas, simplesmente não consigo deixar isso passar despercebido. Ainda mais pra mim, pois ao ouvir essa expressão, o que me vem à mente é um velho barrigudo deitado em uma rede, tomando uma Coca e lendo jornal.
Mas não é o tipo de coisa que, a meu ver, gera discussões prolongadas. O que não se pode dizer do equivalente norte-americano do "Paizinho", o "Sweet Baby Jesus". Esse sim, é bizarro.
Sim, Jesus quando bebê já era o Filho de Deus. Mas era um bebê. Não engatinhava pelas ruas curando doentes e pregando sermões. Então o intento de se orar a Jesus enqüanto ele ainda tinhas poucas preocupações no colo de sua mãe não é algo que pode se chamar de normal. Tanto que isso foi satirizado no filme Talladega Nights (ou, se preferir, Ricky Bobby A Toda Velocidade), com Will Ferrell. É um de seus filmes mais engraçados, talvez só perca para O Âncora, sua obra máxima. Seu personagem, Ricky Bobby, um ignorante piloto da NASCAR - assim como a maioria deles - está na mesa prestes a tomar o café da manhã com a família quando sua esposa o pede para fazer uma oração de agradecimento. Então ele vai orando e divagando quanto ao Bebê Jesus, que está "em sua manjedoura, assistindo seus vídeos educativos, aprendendo novas cores e formas", etc. Pode parecer gratuito, mas tem suas origens. Da mesma forma que aqui o "Paizinho" é digno de levantar algumas sobrancelhas, lá na América de cima o "Sweet Baby Jesus" incomoda alguns cristãos. Talvez mais do que aqui.
E poderia ser bem pior. Ainda não ouvi nenhum "Papi".
segunda-feira, 5 de maio de 2008
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Um comentário:
Só se usa "Paizinho" com pai carnais quando fazemos alguma coisa errada ou se queremos algo. Logo...
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